Últimas Notícias

O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS – de mário de andrade

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui
para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas..
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam
poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir
assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar
da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo
de secretário geral do coral.
‘As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,
minha alma tem pressa…
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,
muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com
triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua
mortalidade,
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!

O crítico, poeta, músico, poeta, romancista e artista modernista Mario de Andrade  participou da Semana de Arte Moderna de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo.  Fundou a Sociedade de Etnografia e Folclore. Foi  diretor do Departamento Municipal de Cultura de São Paulo.  Mario Raul Moraes de Andrade  nasceu em São Paulo, em 9 de outubro de 1893 e faleceu também em  São Paulo, em 25 de fevereiro de 1945.
Seu poema Pauliceia Desvairada marca o início da poesia modernista no Brasil. Em seu livro Macunaíma, ao mostrar fazer de herói um brasileiro comum, com qualidades e defeitos, contribui para o fortalecimento e consolidação do movimento modernista.
Suas obras estão agrupadas em dezenove volumes com o título de Obras Completas. As principais são:
Poesia:  Há uma Gota de Sangue em Cada Poema (1917), Paulicéia Desvairada (1922), Losango Cáqui (1926), Clã do Jabuti (1927), Remate de Males (1930), Poesias (1941), Lira Paulistana (1946), O Carro da Miséria (1946), Poesias Completas (1955).
Romance: Amar, Verbo Intransitivo (1927), Macunaíma (1928).
Contos:  Primeiro Andar (1926), Belasarte (1934), Contos Novos (1947).
Crônicas: Os filhos da Candinha (1943).
Ensaios:  A Escrava que não é Isaura (1925), O Aleijadinho de Álvares de Azevedo (1935), O Movimento Modernista (1942), O Baile das Quatro Artes (1943), O Empalhador de Passarinhos (1944), O Banquete (1978).

Nenhum comentário